mercredi 20 janvier 2010

Trabalho literário e Livro

Marcel Proust nos leva a refletir sobre o trabalho do escritor, a grande questão que perpassa os sete volumes de À la recherche du temps perdu é: "-Como tornar-me escritor?" E generosamente Proust divide as angústias de seu herói e as suas próprias conosco e nos mostra uma possível resposta, com a qual concordamos, que é a de que o escritor, o verdadeiro escritor, é um tradutor.
Ele traduz as experiências, as sensações, que passam desapercebidas aos "celibatários da arte" e dessa forma resignifica o mundo ao traduzi-lo.

O verdadeiro livro já existe em cada um de nós, o artista deve traduzi-lo.

A literatura existe fora do tempo e o escritor é um tradutor, que possui uma grande sensibilidade, ele nos mostra a vida realmente vivida na literatura, a qual não precisa ser realista para nos trazer a beleza e a experiência. Lembrem-se do Fantástico Francês com Gautier, Nodier e outros autores onde universos de sonho, mortos ressuscitados, autômatos etc representam muito bem a nossa sociedade.

O escritor entra em um outro universo Simbólico, como escreve o Professor Phillippe Willemart (2000, pág 123), em que experiências como a do Baron de Charlus quando vai ao hotel para que rapazes lhe batam torna-se algo além da experiência individual de sofrimento-prazer do nobre. Cabe ao escritor fazer essa tradução para o nível da vivência universal.

A literatura nos ajuda a compreender a vida, a recria. De uma situação singular vivida por uma pessoa específica o, verdadeiro, artista tomará a essência geral a qual se tornará tema inspirador da arte:
"...rien ne peut durer qu'en devenant général..." (Le Temps Retrouvé. pág 212)

A obra de arte é maior que os temas e os modelos. Ela está presente o tempo todo, o artista a traduz seja em música, artes plásticas ou artes literárias. A vida é o grande tema da literatura. E o livro é o depositário desse trabalho.

Angelina Renard.

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