samedi 3 avril 2010

A literatura transforma sentidos
















Cada língua reflete a visão de mundo dos seus falantes, esse é um dos motivos pelo qual os professores de língua estrangeira insistem tanto para o estudante pensar na língua estrangeira, pois cada língua tem seu "óculos cultural"; temos o exemplo clássico do Linguísta Ferdinand de Saussure em que os ingleses dizem "driver" e os franceses "chauffeur" para designar o profissional que conduz veículos, isso revela que na língua inglesa se parte do radical de dirigir e na francesa é o calor, pois "chauffeur" vem de "chaud" que significa quente.

Para além do fato de como as palavras revelam ideologias e pensamentos, temos também as palavras que são modificadas pela literatura. Cito aqui dois exemplos da língua francesa:

Renard que significa raposa, entretanto até a publicação das obras de La Fontaine dizia-se goupil para este mamífero que adora ovos, e após Le roman de Renart* no qual a raposa chamada Renart (alterou-se para Renard no decorrer do tempo) comoveu tanto os leitores que o primeiro substantivo comum para raposa em francês foi esquecido e, então, pela força da literatura, hoje em francês usamos um ex-substantivo próprio (Renard) como comum.

Ocorreu um fato parecido quando o escritor Zola escreveu o livro Nana. (Zola viveu de 02/04/1840 a 29/09/1902, foi amigo de Cézanne e além de Naná escreveu Germinal entre outros títulos que fazem parte do seu Projeto Rougon-Macquart) Em Nana o nome da personagem principal era somente um apelido como Gigi e tantos outros, entretanto após o livro Naná começou a significar "menina bonita", as pessoas se identificaram tanto com a personagem principal, uma mulher de beleza única, que o substantivo próprio Naná foi transformado em adjetivo.

Portanto a língua está em constante modificação e a literatura participa dessa transformação.


*Imagens são gravuras de Marc Chagall.

Angelina.

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