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lundi 28 octobre 2019

Le Chef Michel Oliver: a vanguarda de abrir a cozinha para as crianças e o trabalho impecável para todas as idades

No dia 2 de novembro de 1932 nasceu na cidade francesa de Bordeaux  Michel Oliver. A mãe de Michel foi uma dedicada professora e o pai, Raymond Oliver, foi um grande Chef de cozinha, que por 35 anos teve o restaurante Le Grand Véfour, na margem direita do Sena, neste período floresceu um espaço de criação de pratos impecáveis servidos para intelectuais, artistas e pessoas que aprecaim a boa gastronomia, entre os habitués da cozinha da família Oliver temos Simone de Beauvoir e o tão amado Jean Cocteau. Sob o comando de Raymond Oliver Le Grand Véfour manteve 3 estrelas Michelin por 30 anos, até a venda do restaurante para outra família. Neste mundo de educação, cultura e arte cresceu Michel Oliver.

Em 1963, já trabalhando com o pai no Grand Véfour, Michel publicou "La cuisine est un jeu d'enfants" com prefácio de Jean Cocteau e desenhos do próprio Michel. 
"La cuisine est un jeu d'enfants" ("A cozinha é uma brincadeira de crianças") revela o quanto Michel Oliver é  précurseur: Michel acredita na capacidade das crianças (e de todos) para cozinhar e para apreciar os pratos. E, Michel fez tudo isto, muito antes da moda de gastronomia que vivemos atualmente. 

Após a publicação de "La cuisine est un jeu d'enfants" Michel Oliver segue com o trabalho no Grand Véfour. Ele publica mais livros e, em 1970, Michel abre diversos Bistrots em Paris.  

No ano de 1978 é lançado na televisão o programa de culinária "La vérité est au fond de la marmite" ("A verdade está no fundo da marmita"), Michel torna-se ainda mais conhecido e reconhecido graças ao programa televisivo.

Michel Oliver publicou diversos livros de gastronomia. Para nossa sorte Michel está vivo e bem. E a família Oliver continua no lindo mundo da gastronomia, os filhos de Michel seguem o mesmo ofício do avô e do pai.

O trabalho de Michel Oliver com as crianças foi tão valoroso e meritório que, em 2000, nasceu uma série de desenhos animados com o mesmo nome do primeiro livro de Michel, no Youtube podemos assistir aos episódios e aprender receitas com um verdadeiro Chef francês, o qual tempera todos os pratos com respeito, carinho, risadas e amor. 

Recomendo em especial o episódio de la Ratatouille:

Podemos também assistir a alguns episódios de "La vérité est au fond de la marmite" graças ao INA - Institut National de l'Audiovisuel, órgão fundamental, nossa biblioteca de l'audiovisuel en France: 

Os séculos XIX e XX presenciaram enormes alterações na maneira de preparar os alimentos e no modo de nos relacionarmos com a alimentação: muitos alimentos ultraprocessados, pessoas que comem em frente à televisão ou andando, sem a vivência da interação com outros seres amados e sem preparar nenhum dos alimentos que as nutrem (ou deveriam nutrir).
E Michel Oliver, desde sempre précurseur nos traz a beleza e a possibilidade de nós mesmos prepararmos comidas nutritivas e lindas, as quais alimentam nosso corpo, trazem beleza e nutrem a nossa alma. 

Conheçam e apreciem Michel Oliver e o lindo trabalho deste Chef único e tão generoso. 

"Les enfants aiment trois choses ce qui est sale dangereux et bruyant... La cuisine réunit les trois." Michel Oliver 
("As crianças amam três coisas: o que é sujo, perigoso e barulhento... A cozinha reune as três.")


Michel Oliver com seu pai Raymond Oliver e com o filho Bruno no Grand Véfour
  

A todos, maravilhosos encontros com Michel Oliver. 
Bisous, 
Renard.
                             

mercredi 4 décembre 2013

Le Loup et mes élèves

Hoje meus alunos da terceira série da escola Franco-Brasileira em que trabalho e eu concluímos nossas atividades de francês deste ano.

Nos meses de novembro e dezembro trabalhamos a estória "Le loup", do escritor francês Marcel Aymé.
Neste conto há um momento em que Delphine et Marinette, as duas irmãs e personagens principais, brincam da canção "Promenons-nous dans les bois"¹.

E hoje, último dia de aula, ainda com duas atividades sobre Le loup para fazermos, uma das minhas alunas chega na sala de aula com um presente pra mim:

O desenho a seguir que ela fez em casa, após a primeira leitura de Le loup.

Este é um dos momentos que eu digo: -É muito mágico trabalhar com crianças e com a língua e cultura francesa.

A partir do nosso trabalho (de leitura do texto, de imagens, com as canções "Promenons-nous dans les bois" e "Mon gros loup, mon p'tit loup", com vocabulário das roupas etc) o estudo fez sentido para minha aluna que, sozinha em casa, sem eu pedir, pensou sobre a nossa estória e criou uma expressão.



escrito no desenho:
Loup: -Peraí, eu ainda estou de cueca!!!
Delphine: -Nós não temos o dia todo.
Marinette: -Vai logo, Loup!!



Merci beaucoup!!!


Angelina


¹  versão em português: "Vamos passear na floresta, enquanto seu lobo não vem"

samedi 23 novembre 2013

Quelques endroits inconturnables à Paris:

Além da Tour Eiffel, do Arco do Triunfo, do Château de Versailles, da Champs Elysées e das escadarias de Montmartre recomendo aqui alguns locais que é preciso conhecer e viver em Paris:


Point Ephémère
200 Quai de Valmy 75010 Paris
Bar resto sympa le soir. Bonne programmation de concerts


Bar Ourcq
69 Quai de la Loire 75019 Paris.
Moi, j’adore ce bar, incontournable, incontournable, supercool.


Le Carillon
18 Rue Alibert 75010 Paris
Bar avec plein de monde tous les soirs!


L'Assignat
7 Rue Guénégaud 75006 Paris
Le moins cher déjeuner et bière de Saint Germain!


Restaurant Chez Imogène
Petit restau, pas touristique.


Hôtel du Nord
102 quai de Jemmapes 75010 Paris
C’est super, au bord du Canal Saint Martin… Bar traditionnel de Paris.


Boulangerie de Papa
Le meilleur crêpe nutella de Paris
1 rue de la Harpe 75005 Paris

Musée de l’Orangerie
Jardin Tuileries, 75001 Paris
http://www.groupe-bertrand.com/boulangerie.php



Jeu de Paume
(à côtè du musée de l’Orangerie)

La Cinemathèque Française
51 Rue de Bercy 75012 Paris
Inconturnable!!!

MK2 cinéma
7 quai de la Loire / 14 quai de la Seine 75019 Paris (métro Jaurès)
Superbe! Le cinéma est devant le quai de Seine.

Parc de la Villette
L’un des plus beaux parcs de Paris. Il fait partie de l’histoire et de la culture de Paris; au bord du bassin de la Villette.
Cité des Enfants
Cité de la Musique 


Centre Georges Pompidou – mon chéri BEAUBOURG
19 Rue Beaubourg, 75004 Paris

Musée d’Orsay
1 Rue de la Légion d'Honneur, 75007 Paris

Musée Marmottan Monet
2, rue Louis-Boilly 75016 Paris

Shakespeare and Company  - Librairie
37 rue de la Bûcherie 75005 Paris


Gibert Jeune
4 place Saint-Michel  75006 Paris
Super, super!!!

Le musée des égouts de Paris
93 Quai d’Orsay

Le cimitière du  Père Lachaise
16 rue du Repos  75020 Paris

Les chemins D’Amélie Poulain
L´Église du Sacre Coeur et Le Manège de Montmarte: 35 Rue du Chevalier de la Barre, 75018
L´épicerie du Monsieur Collignon: 56, rue des Trois Frères 75018 Paris
CaféLes deux moulins”: 15, rue Lepic 75018 Paris
Palace Video:  37, boulevard de Clichy 75009 Paris
Le Canal Saint Martin: INCONTOURNABLE!!!: 75010 Paris il est situé entièrement dans les 10 et 11 arrondissements. http://www.arenard.com.br/2012/04/canal-saint-martin-endroit.html

Notre-Dame de Paris
6 Parvis Notre-Dame - place Jean-Paul-II, 75004 Paris
Où se passe l’histoire de Quasimodo et Esmeralda (Victor Hugo).


Toutes les toilettes publiques parisiennes (sanisettes) sont gratuites et elles ont la carte de Paris.



Jardin Catherine Labouré
29 rue de Babylone, 75007 Paris

Le jardin de Tuileries et Le jardin de Renard qui est aux Tuileries  (avec son parfun unique)
Place de la Concorde, 75001 Paris

La Durée
Le meilleur Macaron de Paris.


La maison Victor Hugo
6, place des Vosges 75004 Paris




Le marché aux Puces de Saint-Ouen/Paris
Rue des Rosiers 75004 Paris


VÉLIB - Vélo = bike e Liberté =liberdade (locação de bicicleta)
Você pode se inscrever no Vélib através do site http://www.velib.paris.fr/Comment-ca-marche
escolher a opção de dias de abonnement (1 dia, 7 dias ou o ano inteiro)
e quando chegar à Paris é só pegar a vélib em um dos postos.








 








-Paris c’est à vous. Soyez les Bienvenues.




samedi 24 août 2013

Virada Renascentista II - CCBB 2013

De hoje, dia 24 de agosto de 2013, até amanhã as 10 horas da noite acontece no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB a Segunda Virada Renascentista.

Mais sobre a exposição em:
http://www.arenard.com.br/2013/08/a-exposicao-mestres-do-renascimento-ate.html
e
http://www.arenard.com.br/2013/07/mestres-do-renascimento-com-virada.html



2ª Virada Renascentista:
no CCBB
de 24/08 às 08:00 a 25/08 às 22:00
Gratuito

Endereço:
Rua Álvares Penteado, 112
Centro

Serviço de Transporte Gratuito na Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos) até o CCBB

http://www.bb.com.br/cultura


-Boa exposição!

Angelina Renard

lundi 12 août 2013

a exposição Mestres do Renascimento até 23 de setembro no CCBB-SP

Acontece em São Paulo, no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, a exposição "Mestres do Renascimento.
No prédio do ano de 1901, na rua da Quitanda com a rua Álvares Penteado, bem no centro de São Paulo, em quatro dos cinco andares podemos nos encontrar com os Mestres do Renascimento Italiano.

A exposição "Mestres do Renascimento" abrange os séculos XV e XVI.
As principais características do Renascimento são: harmonia, proporção, simetria, uso do claro-escuro e perspectiva, o Humanismo e a liberdade de cada artista ter seu estilo pessoal.

O movimento Renascentista teve grande influência da Antiguidade Clássica e influenciou escolas posteriores a ele.

Na literatura Camões, Dante Alighieri, Petrarca, Boccaccio e Sá de Miranda são autores do Renascimento.

O Renascimento, como escreve o historiador Jacob Burckhardt (1818-1897) em A cultura do Renascimento na Itália: traz a "descoberta do mundo e do homem".

Recomendo a exposição "Mestres do Renascimento" e o link do CCBB sobre ela: http://www.renascimentonoccbb.com.br/  nele há todos os artistas, vídeos e galeria de obras.

Já fui duas vezes à exposição e pretendo voltar ao CCBB antes de 23 de setembro.
Calculem, pelo menos 2 horas para apreciar e fruir com os mestres das artes plásticas do Renascimento Italiano: pintura, arquitetura e escultura revelam o trabalho de mestres como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Giovanni Santi e Rafael, entre outros mestres esperam por você.

Coloque um calçado confortável e venha visitar os Mestres do Renascimento.



-Boa exposição!

Angelina Renard

dimanche 14 juillet 2013

Mestres do Renascimento com Virada Renascentista em São Paulo

Dia 13 de julho de 2013, além de ser o Dia Mundial do Rock, é a data da Virada Renascentista com a exposição Mestres do Renascimento em São Paulo no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil).

A Exposição Mestres do Renascimento estará em cartaz de 13 de julho a 23 de setembro de 2013.

Dia 13 acontece a abertura da exposição com a Virada Renascentista, a partir das 15h do sábado às 22h do domingo (14).
A iluminação no entorno do CCBB é de lâmpadas de vapor metálico e LED, com isso as ruas estarão mais claras, além do reforço na quantidade de policiais e há uma van que sai da Rua da Consolação, 228 e leva os visitantes até a entrada do CCBB.

Mestres do Renascimento é uma exposição com cinco núcleos que ocupam quatro andares do prédio, no primeiro andar há um quadro didático sobre o Movimento.
O Renascimento se reflete numa busca da racionalidade e da dignidade dos seres vivos e da natureza.
A arte gótica, que precedeu o Renascimento, privilegiava o sobrenatural, o homem era pequeno em relação ao Divino. O Renascimento tem o foco no humanismo.

"... o Renascimento foi um movimento da História muito mais amplo e complexo do que o simples reviver da antiga cultura greco-romana. Ocorreram neste período muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média." (Graça Proença. História da Arte. Página 78.)

Em Mestres do Renascimento temos pinturas, arquitetura e esculturas (Michelangelo nos mostra sua face de arquiteto).

Esta exposição no CCBB sobre o Renascimento, movimento que abangeu três séculos (XIV, XV e XVI) e trouxe-revelou um novo modo de interação com o mundo, nos traz os mestres italianos grandes representantes deste período.

Elementos do Renascimento permanecem até os dias atuais.
Esta é uma exposição sobre a humanidade.
Imperdível.

A seguir Michelangelo Arquiteto com "Studio di portale" e "Cristo Benedicente", de Rafael, duas das obras de Mestres do Renascimento.



Exposição: "Mestres do Renascimento: Obras-primas Italianas
de 13/7 até 22/9/2013.
Entrada franca.
http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10164,1,0,1,1.bb?codigoEvento=5307
no CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil.
 Rua Álvares Penteado, 112 - Centro


Angelina Renard.

lundi 24 juin 2013

o olhar

"Você acha que é mais bonita do que você diz?"

a empresa Dove lançou um video, ganhador do prêmio máximo do festival de publicidade de Cannes. Nele a própria pessoa se descreve e depois outra pessoa a descreve: Percepções sobre o mesmo ser.

- Como nos observamos e como as outras pessoas nos observam?  

- Como percebemos a nós mesmos e o mundo; e como os expressamos para os outros. 

- A percepção de nós mesmos e do mundo interferem em como significamos e resignificamos a vida?


Para quem quiser refletir um pouco sugiro o ensaio "A dúvida de Cézanne", no livro O olho e o espírito, de Merleau Ponty.

Aqui um desenho  feito por um grande amigo e artista, Renê Trindade, da autora deste texto, como ele me enxergou; em um dos locais que mais amei trabalhar até hoje: o atelier do MAC-USP.

A seguir o vídeo da Dove:



- Como você se vê?
 - Você acha que é mais bonita do que você diz? 

Angelina Renard

mercredi 24 avril 2013

des Refusés - Recusados

o texto "Obras-primas recusadas" d'Affonso Romano de Sant'Anna trata de alguns Escritores rejeitados na sua época e reconhecidos após. Entre eles os franceses:  Mallarmé que teve poema musicado por Debussy   e Marcel Proust que alterou as noções de tempo e espaço na literatura e trouxe o fluxo de consciência.

No texto de Sant'Anna ainda poderiam entrar  diversos exemplos não só de escritores como também de pintores.
Lembrem-se que nas artes plásticas houve o "Salon des Refusés" em 1863 com obras de Manet, de Pissarro, do inclassificável Cézanne e de outros Pintores impedidos de participar do salão oficial.
Os participantes do salão oficial, que seguia o gosto oficial, foram esquecidos e não deixaram nenhuma marca para as Artes, diferente dos pintores que expuseram suas obras no Salon des Refusés.

o texto "Obras-primas recusadas" segue abaixo por dois motivos:
1. para que se aproximem mais da literatura francesa e mundial
e
2. para que continuem firmes no que acreditam: as recusas de hoje podem ser sinal de incompreensão diante de trabalhos à frentre de sua época.


" Obras-primas recusadas
Affonso Romano de Sant'Anna
Texto originalmente publicado, em duas partes, em janeiro de 2005, no jornal O Globo e integrante da coletânea de crônicas A cegueira e o saber. (Rocco, 2006) 


Engana-se quem acha que a carreira de grandes artistas é feita só de glórias e aplausos. É constituída de mil tropeços, fracassos e rejeições. Só que esses percalços, por terem sido superados, praticamente desaparecem ante o brilho que a obra ganha na posteridade. Por isto, o escritor que tem seus livros na gaveta e não encontra editor, ou aquele que manda originais para aqui e para ali e, às vezes, não merece sequer uma resposta; ou aqueles que distribuem seus textos pelas editoras e recebem aquela clássica desculpa de que “sua obra é boa mas não se enquadra nos projetos editoriais desta casa”, todos esses devem ter algum consolo ao saberem que Francis Scott Fitzgerald, hoje tido como um dos melhores contistas modernos da literatura norte-americana, era um colecionador de recusas editoriais. Sua biografia registra que, em 1920, tinha dependurados no seu quarto 120 bilhetes de recusas para publicação de seus contos. Deve ser igualmente consolador ser informado que James Joyce, o grande reformulador do romance no século XX, reconhecia, numa carta de 1916, que seu livro de contos Retrato do artista quando jovem havia sido recusado por vários editores. Esses lhe diziam sempre : “Bom trabalho, mas não se paga”. Igualmente, Ludwig Wittgenstein, que abalou o pensamento filosófico do século passado, recebia, à altura de 1921, repetidos comunicados dos editores dizendo que “não entendiam uma só palavra” do que ele havia escrito. Bem que Bertrand Russell, tentando lhe abrir as portas, fez uma introdução de 16 páginas para ver se as casas editoriais se interessavam pelo Tractatus logico-philosphoficus. Nem assim. Russell, finalmente, depois de muito empenho, conseguiu publicá-lo na Inglaterra. E a coisa não pára aí. Hemingway expediu o seu Torrentes da primavera, mas um editor lhe respondeu afirmando que seria sinal de mau gosto publicá-lo. Caso meio parecido ocorreu com D. H. Lawrence – seu próprio editor suplicava que não publicasse O amante de Lady Chatterley, por achar que era por demais arrojado e ia lhe criar problemas, por isto o livro acabou saindo em Florença em 1928, numa edição particular. D. H. Lawrence, aliás, vivia tendo problemas com o que queria publicar e, entre os seus livros, Mulheres apaixonadas foi o mais recusado. As histórias dessas recusas e de muitas outras foram coligidas por Mario Baudino no livro Il gran rifiuto (“A grande recusa”), editado pela Longanesi, de Milão, em 1991. O leitor vai se espantar e pode até se sentir estimulado a continuar recebendo negativas sem tanto sofrimento. J.R.R. Tolkien, do avassalador O senhor dos anéis, teve, na década de 30 do século passado, dificuldades com a publicação de seu Silmarillion, que dormitou na gaveta algum tempo. Quem não se lembra, nos anos 60, do nome emblemático de Marshall McLuhan, o canadense que com The medium is the message reinaugurou a fase moderna dos estudos de comunicação? Pois apesar disto, na Itália, sua obra foi recusada na coleção Adelphi, sob a alegação de que “é um livro de um pequeno louco”. E há casos ainda de negativas unânimes como o Lolita, de Nabokov, originalmente rejeitado por todos os editores americanos. A lista é espantosa. Moby Dick, de Herman Melville, foi refugado com a alegação de que não era “adaptado ao mercado para jovens na Inglaterra”. O poema “Après midi d’un faune”, de Mallarmé, que seria musicado por Debussy e virou balé com Nijinsky, foi esnobado pela revista Parnasse contemporain por ordem de Anatole France. Já o primeiro livro de Arthur Conan Doyle, o criador do detetive Sherlock Holmes, Um estudo em vermelho, não chegou a ser sequer lido pelo editor a quem foi enviado. E o que dizer do bilhete com que despediram Rudyard Kipling do jornal onde trabalhava?: “Aqui não é um asilo para escritores diletantes. Lamento, senhor Kipling, mas o senhor não sabe escrever em inglês”. Também Ezra Pound, que abalou a poesia de língua inglesa no princípio do século XX, não foi aceito pela Quartely Review porque havia publicado na revista futurista Blast (1918). E T.S. Eliot teve que ler este bilhete do editor John Lane: “A obra do sr. Eliot é brilhante, mas não pertence ao gênero que adicionamos ao nosso catálogo”. E por aí segue a lista. Bernard Shaw, Céline, Irving Stone, Cummings, Italo Calvino, Gertrud Stein, Moravia, García Márquez e até o caso de George Orwell (Animal’s farm) . Mas nesse caso houve uma agravante, pois o parecer era de ninguém menos que T.S. Eliot, aliás, politicamente um conservador, que assim se manifestou: “Não tenho nenhuma convicção de que esta seja a crítica justa à atual situação política”. Além disto, os editores americanos tinham reservas sobre aquela obra de Orwell, alegando que o livro seria menos ofensivo se os personagens não fossem porcos. Muito se pode discutir sobre esses fatos. A tendência natural dos escritores é culpar os editores por falta de visão. Isto é simplificar por demais a questão. Todo escritor, em princípio, acredita em sua obra, e alguns estão seguros de que ela é genial. Mas as coisas são mais complexas do que parecem. Casas editoriais não são necessariamente instituições de caridade e mesmo entre os pareceristas e entre os diversos grupos escritores há interesses subjetivos e ideológicos. E entre tantos casos da literatura moderna, dois se tornaram célebres: as recusas de Em busca do tempo perdido de Proust, e O Gattopardo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa. * * * O caso de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, tornou-se o mais clamoroso. Primeiro, porque o autor foi recusado não apenas por um, mas por vários editores. Segundo, porque essa recusa era meio estranha, posto que o autor estava disposto a pagar a edição e até mesmo a financiar a publicidade. Há várias justificativas que tentam atenuar esse erro editorial. Como assinala Mario Baudino, a indústria editorial francesa estava economicamente em crise, em 1912, quando as recusas à obra de Proust ocorreram sucessivamente. Mas isto não basta para explicar, posto que o autor estava disposto a pagar não só a edição, dividir os possíveis lucros com o editor além de financiar a divulgação, num gesto premonitório da atual sociedade do marketing. Deste modo, pode-se concluir que os leitores especializados que examinaram os manuscritos não sabiam o que fazer diante daquela narrativa longa e pormenorizada, que contrariava o que estava entrando na ordem do dia, que era a arte de vanguarda pregando a fragmentação, a velocidade, o louvor à máquina e à violência. Enfim, para eles, Proust vinha com uma obra “velha”, “ultrapassada”, “burguesa” e “alienada”. E quando o livro apareceu em 1913, financiado pelo autor através da pequena editora Grasset, iniciou-se então a trajetória de seu sucesso que desmoralizaria essa perversa mania do “novo” trazida pela modernidade e os modernosos. A editora Fasquelle justificava sua recusa a publicar o romance de Proust alegando que era muito grande e que o público não estava acostumado a esse tipo minucioso de descrições. Já a editora Gallimard submeteu o texto de Proust a pelo menos dois leitores: Jacques Normand e André Gide. O primeiro ironizava o romance dizendo que depois de 712 paginas “não se tem nenhuma noção de que coisa se trata”. De tudo salvam-se “umas seis páginas”. Fazia ainda considerações sobre o personagem sexualmente “invertido” e assinalava que era mesmo um “caso patológico”. Já o outro – André Gide – mesmo sendo homossexual não se deixou seduzir por esse aspecto da obra. Apenas a folheou e a recusou alegando, preconceituosamente, que o autor era um ricaço freqüentador de salões mundanos, e que havia, ainda, uma outra agravante: Proust era colaborador do conservador Figaro. Assim acumulavam-se razões nada literárias para a rejeição. E Gide, que apenas folheara o livro, ainda alegava que o autor tinha tido pouco escrúpulo em dizer que pagaria a edição se fosse preciso. Proust, no entanto, tinha tanta confiança em seu livro, que dizia que a publicação era apenas uma questão “técnica”. Por isto não se vexava de financiar a edição e a publicidade. Mas não deixa de ser estranho e sintomático que o livro tenha colecionado outras recusas. Além da Ollendorf, que havia editado Maupassant e Romain Rolland, Proust entregou o manuscrito a Alfred Humblot, que pede a Louis Boyer para lê-lo. E este é fulminante: “Não consigo entender como se pode empregar trinta páginas para descrever como se vira e revira na cama antes de pegar no sono”. Em 14 de novembro de 1913 a pequenina Grasset lança Du côté de chez Swann. Graças a uma boa campanha publicitária orquestrada vendem-se 1.500 exemplares e, uns quatro meses depois, o total chega a três mil. Proust e o editor tentam concorrer ao prêmio Goncourt, mas não dá mais tempo. Contudo, os outros editores que haviam recusado a obra começam a se arrepender e a procurar o autor. Inclusive André Gide, depois que vários autores da Nouvelle Revue Française (NRF) começam a elogiar Proust. Três meses após o aparecimento do livro, Gide escreve uma carta histórica a Proust se desculpando: “Ter recusado este livro ficará como o mais grave erro da NRF (e me toca a vergonha de ter sido em grande parte o responsável) e um dos remorsos mais cruéis de minha vida”. Enfim, as peripécias pelas quais passou a obra de Proust mereceram até um estudo de Franck Lhomeau e Alain Coelho – Marcel Proust à la recherche d’un éditeur (Olivier Orban). Já a célebre recusa de O Gattopardo (1958), de Tomasi di Lampedusa, entre outras coisas, exibe o danoso preconceito político e ideológico no julgamento de obras. Como o disse Andrea Vitello na biografia dedicada a Lampedusa, o escritor comunista Elio Vittorini foi o responsável pela recusa daquela obra-prima que viria ser filmada por Visconti tendo Alain Dellon, Claudia Cardinalle e Burt Lancaster nos papéis principais. Mas obedecendo aos preconceitos do partido, Vittorini, usando de sua influência politica, interditou a obra em duas editoras: na Mondadori e na Einaudi. Entre as alegações ideológicas, Vittorini perfilava: “Desde que eu escrevo tenho me batido pela renovação moderna da literatura. Entenda que não posso me impor de gostar de um escritor que se manifesta através de esquemas tradicionais. Poderia gostar de O Gattopardo só como obra do passado que houvesse sido descoberta num arquivo qualquer”. Quantos de nós não temos lido e ouvido tolices semelhantes emitidas pelos praticantes da neofilia? Na verdade, Vittorini, que se julgava um intelectual engajado, estava censurando a visão histórica e política do nobre Lampedusa. De certo modo repetia-se aqui o veto dado a Proust, por ser um aristocrata. Gide, pelo menos, se arrependeu publicamente do erro em relação a Proust. O caso de Vittorini é lamentável. Porque mesmo quando o livro finalmente saiu e começou a ser aclamado pela crítica e pelo público, os partidários da literatura de uma nota só escreveram textos e cartas de apoio a Vittorini reafirmando que a obra-prima de Lampedusa era uma bobagem.
Leio essas coisas e fico pensando se alguém não poderia fazer um levantamento sócio-literário sobre equívocos semelhantes ocorridos na literatura de língua portuguesa. Neste caso, os mal-entendidos poderiam ser examinados inclusive nos dois sentidos. Não apenas em relação aos que foram obstaculizados, mas também em relação àqueles que num dado momento, por injunções várias, viram celebridade e, de repente, noutro instante mergulham no ostracismo."


-Bon courage. 

A. Renard

mercredi 20 février 2013

Chagall entre guerre et paix - musée du Luxembourg, à Paris

a exposição "Chagall entre guerre et paix" acontece de 21 de fevereiro à 21 de julho no musée du Luxebourg, à Paris.

Marc Chagall no Luco (musée du Luxembourg) nos traz os temas fundadores dos trabalhos de Chagall e revela também a obra voltada para a liberdade, a alegria, para a Vida.

para todos que estiverem em Paris entre 21 de fevereiro e 21 de julho de 2013 recomendo muito a exposição  "Chagall entre guerre et paix".



http://museeduluxembourg.fr/fr/expositions/p_exposition-18/
Musée du Luxembourg
19 rue de Vaugirard
75006 Paris
Tél. : 01 40 13 62 00


A. Renard ^^

mardi 4 décembre 2012

mais luzes no masp: Vermeer

Vermeer e seu barroco com telas em que a claridade, as luzes, e a harmonia entre cores e formas nos trazem o que há de universal, de atemporal e de único através do olhar luminoso deste pintor holandês para  a vida cotidina da burguesia de seu país .

Exposição no Masp a partir de 12/12/12 da tela "Mulher de azul lendo uma carta" (1663-1665):  http://masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=127&periodo_menu=breve


 E para entraramos no clima das luzes que invadirão o Masp a partir de 12 de dezembro sugiro aqui o filme inspirado no trabalho "Moça com brinco de pérola"






"Mulher de azul lendo uma carta



Com Vermeer e   "Mulher de azul lendo uma carta" mais Luzes e cores no Masp.


Angelina Renard.


¹Imagem do ficheiro wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Vermeer,_Johannes_-_Woman_reading_a_letter_-_ca._1662-1663.jpg

mardi 14 août 2012

Impressionismo: Paris e a Modernidade – Obras-Primas do Museu d’Orsay no CCBB em SP

De 04  de agosto a 07 de outubro podemos visitar 85 obras-primas do mussée d'Orsay, no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB: a exposição "Impressionismo e Modernidade - Obras-Primas do Museu d'Orsay".

Obras como "O tocador de Pífano"- "Le Fifre" de Édouard Manet, A Estação Saint-Lazare” de Claude Monet e “O Salão de Dança em Arles” de Van Gogh estão presentes na exposição juntamente com trabalhos de Cézanne, Renoir, Toulouse-Lautrec, Coubert, Gauguin e outros artistas. Todos nascidos entre 1835 a 1840 e que se baseiam na pinceladas espontâneas e sensíveis e na luminosidade natural.


A exposição se divide em sete blocos: 

1. "Paris é uma Festa"; 2. "A Vida Urbana e Seus Atores" e 3. "Paris: A Cidade Moderna" destacam a Paris, símbolo das metrópoles, na virada do século 19 para o século 20.

Os blocos 4. "Fugir da Cidade"; 5. "Convite à Viagem"; 6. "Na Bretanha" e 7. "A Vida Silenciosa" tem como tema a vida no campo.

Vale a pena, mesmo com filas diárias de quatro horas, visitar o CCBB e ver de perto os trabalhos abrigados na antiga estação ferroviária de Paris, que em 1986 se tornou o mussée d'Orsay.

Luz, movimento e a vida do século XIX na nossa experiência contemporânea com a exposição "Impressionismo: Paris e a Modernidade – Obras-Primas do Museu d’Orsay"

"Le Fifre" - Édouard Manet


"La gare Saint-Lazare" - Claude Monet

Onde:

Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo - CCBB
Rua Álvares Penteado, 112, Centro
De 4 de agosto a 7 de outubro
Das 7h às 10h (visitas agendadas)
Das 10h às 22h (público em geral)
Entrada gratuita
Informações:             11-3113-3651       / 3113-3652
Angelina Renard